sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Mais uma VITIMA DA HOMOFOBIA ?
Quem matou Alexandre Leitão? A esta indagação, a polícia busca dar uma resposta. O servidor público José Alexandre Leitão Neto foi barbaramente assassinado, no Conjunto Morada do Sol por um grupo de garotos de programa. O crime que chocou a sociedade acreana aconteceu na madrugada desta quinta-feira, segundo o relato dos vizinhos, que acionaram a Central de Polícia. A vítima foi amordaçada com um lençol e fitas adesivas, mas como resistia em fornecer o número da sua senha bancária, passou a ser torturada pelos delinqüentes. Os criminosos usaram sabão em pó e em barra, para simular uma prática de afogamento, com objetivo de arrancar a sua confissão. Diante do silêncio de Alexandre Leitão, um dos agressores o executou com 19 golpes de faca. Os golpes desferidos ficaram distribuídos da seguinte forma: quatro nas costas, oito no tórax e cinco no pescoço, conforme o laudo cadavérico expedido pelo médico-legista do Instituto Médico Legal (IML). “Não escutamos nenhum grito”, confessou uma testemunha que pediu para não ser identificada, com medo de represálias. Ela contou que foram vistos cinco rapazes nas imediações da residência da vítima, situada na rua Uva, (três deles saindo da residência da vítima e outros dois rapazes, estavam dando cobertura). Em seguida, os criminosos saíram do local do crime, levando uma bolsa repleta de objetos. “Como a casa estava sendo saqueada, ligamos para a polícia”, relatou a testemunha.Assim que o vigilante Sebastião Luiz Nascimento percebeu uma movimentação suspeita na residência de Alexandre Leitão, ligou para a Central de Atendimento do Corpo de Bombeiros Militar – CBM, em busca de socorro. Poucos minutos depois, uma viatura da Polícia Militar – PM estive no local em busca de localizar os suspeitos. Tragédia - Os policiais que atenderam a ocorrência, ainda fizeram busca nas proximidades, mas como não localizaram nenhum suspeito, retornaram à residência, para confirmar a denúncia anônima. Ao adentraram, os militares acompanhados dos vizinhos, perceberam que o local estava revirado de cabeça para baixo. Mas como a luz do quarto estava apagada, resolveram entrar, para prestar socorro à vítima. Ao chegarem ao local, se depararam com o corpo da vítima amordaçada e completamente desfigurada. “O local exalava um forte cheiro de sangue humano”, lembrou o vigia Sebastião Luiz Nascimento. Latrocínio: tese da polícia O secretário de Segurança Pública Antonio Monteiro informou que o delegado de polícia que acompanha o caso, trabalha com a hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte). A autoridade policial revelou que dois suspeitos foram presos pela Polícia Militar – PM e recambiados para a Delegacia de Flagrantes – Defla, para serem interrogados pelo delegado de plantão. “Acreditamos que o crime seja elucidado em poucas horas”, enfatizou o secretário de Segurança.Segundo ele, os policiais continuam no encalço dos outros suspeitos, que fugiram tomando rumo ignorado. Com a investigação em curso, esperam capturar os outros criminosos que participaram do crime bárbaro, mas evitou dar detalhes para não atrapalhar as investigações.O delegado da Defla - Alex Souza Cavalcante disse que ouviu os suspeitos Marcelo Souza da Silva e Cláudio Stéfano. Durante o depoimento, os acusados negaram participação no assassinato do servidor público Alexandre Leitão. Mas o suspeito Marcelo Souza apresentou diversas contradições sobre o horário que saiu da casa da vítima na noite de quarta-feira. Apesar de ter confirmado que esteve no local do crime e conversado com Alexandre Leitão sobre coisas triviais. “Uma testemunha-chave, reconheceu o Marcelo”, revelou o delegado. Com base no depoimento da principal testemunha, que confirmou que Marcelo Souza esteve no local do crime, mas não reconheceu o Cláudio, a autoridade policial pediu a prisão preventiva do acusado. Com isso, contará com mais 30 dias para levantar as provas necessárias para serem anexadas ao inquérito policial que apura o assassinato de Alexandre Leitão. “Uma nova testemunha contribuirá para montar o quebra-cabeça”, enfatizou o delegado. Uma fonte da área contou que polícia continua no encalço do ex-policial militar Hugo Júnior. Ele figura como suspeito de ter executado a vítima, segundo relato de uma nova testemunha. Hugo Júnior foi expulso recentemente da corporação, por indisciplina e envolvimento com drogas. Assim que for preso, será autuado em flagrante e encaminhado ao presídio Dr Francisco D’Oliveira Conde. Mais um crime de homofobia “Mais um crime brutal em nossa cidade, que chocou comunidade GLTB”, desabafou o advogado Alberto Salvático, representante do Núcleo de Direitos Humanos e Combate a Homofobia – Nudicho. A vítima que militava nos movimentos sociais foi barbaramente torturada e executada friamente com diversos golpes de faca. Salvático destacou que a entidade acompanhará o desenrolar das investigações, para que os autores desta barbárie sejam punidos pelo crime que cometeram. “Não pouparemos esforços para que os criminosos sentem no banco dos réus”, avisou o simpatizante da causa GLTB.O advogado da Nudicho relatou ainda, que em menos de um ano, três homossexuais foram barbaramente assassinados na capital acreana. A primeira vítima, segundo Salvático, foi o coordenador do DST/Aids Francisco Dantas, que foi asfixiado e teve o corpo jogado num igarapé, na estrada Apolônio Sales. Depois de poucas semanas, foi o professor Aldemir assassinado em sua residência no bairro Santa Cruz. “Estes crimes foram de uma crueldade sem limites”, desabafou em tom de resignação. Perícia - Os vizinhos contaram que uma equipe do Instituto Médico Legal (IML) esteve na residência, em busca de coletar provas. Durante a perícia, localizou manchas de esperma, em cima da cama, embalagem de droga a uma faca usada no crime. Depois de recolher as provas, o pessoal do IML passou buscar marcas de digitais nos objetos e portas, que contribua para elucidar o caso. Com a produção das provas científicas, as autoridades fundamentarão a peça processual, para que os acusados não contestem o inquérito policial. Mas o diretor do IML evitou falar sobre o assunto, para a imprensa, sob o argumento de sigilo profissional. Fonte: Jornal O Rio Branco
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário